Fechar [X]


Notícias

NOTÍCIAS

OUTRAS NOTÍCIAS

::  PROGNÓSTICO CLIMÁTICO DE INVERNO

30/07/2019 - Inverno 2019

 PROGNÓSTICO CLIMÁTICO DE INVERNO

(Publicado em 21/07/2019)

Características do Inverno  
 
O Inverno no Hemisfério Sul inicia-se no dia 21 de junho de 2019 às 12h54 e termina no dia 23 de setembro às 04h50 (horário de Brasília). Climatologicamente, a estação é marcada pelo período menos chuvoso das regiões Sudeste, Centro-Oeste e parte da região Norte e Nordeste do Brasil, enquanto que as maiores quantidades de precipitação concentram-se sobre o noroeste da Região Norte, leste do Nordeste e parte da Região Sul do Brasil (Figura 1a). Caracteriza-se também, pelas incursões de massas de ar frio, oriundas do sul do continente, que provocam o declínio acentuado das temperaturas média do ar, apresentando valores inferiores a 22ºC sobre a parte leste das regiões Sul e Sudeste do Brasil (Figura 1b). Esta diminuição de temperatura, pode ocasionar: formação de geadas nas regiões Sul, Sudeste e no Estado do Mato Grosso do Sul; queda de neve nas áreas serranas e planaltos da Região Sul; episódios de friagem nos Estados de Rondônia, Acre e no sul do Amazonas. Em função das inversões térmicas no período da manhã durante o inverno, observam-se formações de nevoeiros e/ou névoa úmida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com redução de visibilidade, impactando especialmente em estradas e aeroportos.
Com a redução das chuvas em grande parte do país nesta época do ano, tem-se a diminuição da umidade relativa do ar, que consequentemente favorece o aumento da incidência de queimadas e incêndios florestais, bem como aumento de doenças respiratórias.
 


                             (a)                                                          (b)  
Figura 1: Climatologia de: (a) precipitação e (b) temperatura média do ar para o trimestre julho, agosto e setembro. Período de referência: 1981 – 2010. Fonte: INMET.

 

Condições oceânicas observadas e tendência
 
Desde meados da primavera de 2018 até a primeira quinzena de junho/2019, a anomalia de temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial vem apresentando valores acima de 0,5ºC, o que caracteriza um fenômeno El Niño de fraca intensidade. Embora, nos meses de verão (2018/2019) tenha apresentado um pequeno enfraquecimento destas anomalias, principalmente próximo à costa do Equador, os modelos de previsão climática (Figura 2), gerados pelos principais centros internacionais de Meteorologia, indicam uma probabilidade superior à 50%, este padrão de El Niño deve manter-se durante este inverno/2019 e permanecerá até meados do final da primavera/2019.  
              

Figura 2: Previsão probabilística do IRI para ocorrência de El Niño ou La Niña. Fonte: IRI

 

Condições recentes e Prognóstico Climático para o período Julho, Agosto e Setembro/2019
 
Região Norte
 

A maior quantidade de chuva entre os meses de março a maio de 2019, foi observada sobre a parte central do Amazonas e nordeste do Pará, acumulando valores superiores a 1000 mm no trimestre. Durante a primeira semana de abril ocorreu o primeiro episódio de friagem, causando um declínio acentuado da temperatura sobre o Acre, sudoeste de Rondônia e sul do Amazonas. Já na primeira quinzena de maio e no início de junho ocorreram outros episódios, sendo que nesta friagem do dia 5 de junho, a estação meteorológica do INMET em Vilhena (RO), registrou uma temperatura mínima de 16,3ºC. De modo geral, a previsão climática do INMET indica chuvas variando entre próximo à climatologia a ligeiramente abaixo, com exceção do Acre, noroeste amazonense e sudeste do Pará, onde existe uma tendência das chuvas ficarem acima da média (Figura 3a). A previsão indica que durante os próximos meses de julho a setembro a temperatura média do ar deva permanecer dentro da média a acima, principalmente no sudeste paraense (Figura 3b). Ressalta-se que, as condições de falta de chuvas, alta temperatura e baixa umidade relativa do ar, favorecem a incidência de queimadas e incêndios florestais, muito comuns na metade do inverno e início da primavera. Por outro lado, isto não descarta a ocorrência de eventuais episódios de friagens no Sul desta região.
 
Região Nordeste
 
Durante os meses de outono, houve um aumento da nebulosidade sobre a parte norte da região Nordeste, causado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte que receberam acumulados de chuva significativos. Em São Luís, por exemplo, choveu o dobro da média do mês de março, que corresponde a 462 mm. Durante o final de maio e no início de junho, a umidade oriunda do Oceano Atlântico ocasionou chuvas fortes e alagamentos no leste da Região Nordeste, especialmente nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e parte da Bahia. A previsão do modelo estatístico do INMET para a Região Nordeste indica o predomínio de áreas com maior probabilidade de chuvas dentro ou abaixo da climatologia durante esta estação, principalmente sobre a costa leste, onde o período chuvoso aproxima-se do seu final (Figura 3a). Na maior parte do Nordeste, a temperatura permanecerá próxima à média, enquanto que no interior da região inicia-se o período seco e a previsão é de temperaturas ligeiramente mais altas e baixos índices de umidade relativa, principalmente no sul do Piauí e oeste da Bahia (Figura 3b).
 
Região Centro-Oeste
 
Na Região Centro-Oeste, as chuvas durante o outono ocorreram principalmente sobre a parte leste do Estado de Goiás, Distrito Federal, sul do Mato Grosso e sudoeste do Mato Grosso do Sul. Podemos citar o mês de abril, como um mês atípico para a capital do País, pois normalmente chove em torno de 133 mm e foi registrado um total de chuva de 320 mm. O ar frio de origem polar provocou um decréscimo mais acentuado da temperatura em parte do Centro-Oeste, durante a segunda quinzena de maio e nos primeiros dias de junho. Além disto, o período seco da região já teve início, portanto, a tendência é de haver diminuição da umidade relativa do ar nos próximos meses, com valores diários que podem ficar abaixo de 30% e picos mínimos abaixo de 20%. Portanto, a previsão para o inverno indica alta probabilidade das chuvas ocorrerem dentro a ligeiramente abaixo da média climatológica em grande parte da região (Figura 3a), acompanhado de temperaturas acima da média (Figura 3b), devido a permanência de massas de ar seco e quente, principalmente nos meses de agosto e setembro, favorecendo a ocorrência de queimadas e incêndios florestais.
 
Região Sudeste
 
O avanço de sistemas frontais durante o outono, contribuiu para que as chuvas fossem mais frequentes sobre a faixa leste da Região Sudeste do País. Em algumas cidades as chuvas fortes provocaram alagamentos, causando diversos transtornos à população. Na capital Vitória (ES), onde a média do mês de maio corresponde a 74 mm, choveu mais de 250 mm. Durante a segunda quinzena de maio e primeira de junho, a entrada de massas de ar frio fez as temperaturas mínimas caírem, havendo formação de geada em alguns municípios do sul de Minas Gerais e interior de São Paulo. Em Maria da Fé (MG) e Campos do Jordão (SP) ocorreram geadas moderadas, registrando temperaturas mínimas de 1,6ºC no dia 05 de maio e 2,0ºC no dia 9 de maio, respectivamente (Fonte: INMET). Destaca-se que, assim como na região Centro-Oeste, o trimestre de junho a agosto corresponde ao período mais seco da região, especialmente no norte de Minas Gerais. Deste modo, a previsão do INMET para o inverno na Região Sudeste indica que as chuvas devem permanecer dentro a ligeiramente acima da média, principalmente em setembro no sul de São Paulo (Figura 3a). Já as temperaturas (Figura 3b), devem permanecer acima da média em grande parte da região, podendo haver declínio acentuado de temperatura em locais mais elevados, devido à passagem de massas de ar frio mais continentais.  
 
Região Sul
 
Durante os meses de março a maio, as chuvas foram acima da média histórica em grande parte do sul do País, em consequência da atuação do fenômeno El Niño, que provoca maior atuação das frentes frias sobre a região, favorecendo a ocorrência de chuvas mais intensas, bem como do aquecimento das águas do Atlântico Subtropical, próximas à costa do Rio Grande do Sul. Durante a segunda quinzena de maio e início de junho, iniciaram-se os primeiros episódios de geadas em regiões serranas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, cuja a intensidade variou de fraca a moderada. O prognóstico do INMET, indica que as chuvas ocorrerão acima da média em grande parte da Região Sul (Figura 3a). A maior frequência das frentes frias contribuirá para maiores variações nas temperaturas ao longo deste trimestre, porém as temperaturas médias devem permanecer acima da média climatológica em toda Região Sul (Figura 3b), exceto na metade sul do Rio Grande do Sul e leste de Santa Catarina, onde o inverno deverá ocorrer dentro da normalidade com temperaturas mínimas podendo atingir valores abaixo de 0ºC em áreas serranas e planalto, principalmente no mês de julho.  


 
 

(a)                                                               (b)  
Figura 3: Previsão de anomalias de precipitação e temperatura média do ar do modelo estatístico do INMET para o trimestre julho, agosto e setembro/2019.
 
 

Para maiores detalhes acesse: http://www.inmet.gov.br/portal
Instituto Nacional de Meteorologia
Coordenação-Geral de Meteorologia Aplicada, Desenvolvimento e Pesquisa(CGMADP) - Serviço de Pesquisa Aplicada (SEPEA)