1. Climatologia

1.1. Normais Climatológicas
As "Normais Climatológicas" são obtidas através do cálculo das médias de parâmetros meteorológicos, obedecendo a critérios recomendados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Essas médias referem-se a períodos padronizados de 30 (trinta) anos, sucessivamente, de 1901 a 1930, 1931 a 1960 e 1961 a 1990. Como, no Brasil, somente a partir de 1910 a atividade de observação meteorológica passou a ser feita de forma sistemática, o primeiro período padrão possível de ser calculado foi o de 1931 a 1960.

Material de Referência:
- Calculation of monthly and annual 30-year standard normals. Geneva, 1989. (WMO. Technical document, n. 341; WCDP, n.10).

1.2 . Gráficos Climatológicos
São gráficos gerados com os valores mensais disponíveis nas duas séries de normais climatológicas de referência, 1931-1960 e 1961-1990, mantidas pelo INMET para 27 estações representativas das capitais brasileiras, segundo atributos selecionados pelo usuário. É possível solicitar até 4 curvas por gráfico, selecionando-se combinações de parâmetros meteorológicos, períodos de referência e estações. Assim, o produto do número de parâmetros, pelo número de estações e pelo número de períodos de climatologia selecionados não pode ultrapassar o valor 4.

1.3. Mapas de Condições Registradas
São mapas do Brasil contendo o registro dos parâmetros meteorológicos diários registrados nos horários de 0, 12 e 18 horas UTC (Coordenada de Tempo Universal, com referência no Meridiano de Greenwich, Inglaterra), que correspondem a 3 horas a mais em relação ao horário de Brasília (2 horas durante o período do Horário de Versão). Há mapas disponíveis a partir do dia 06 de Agosto de 2003.

1.4. Distribuições de Probabilidade
Em sua versão atual, este produto apresenta distribuições de probabilidade climatológicas da precipitação acumulada em períodos móveis de três meses (trimestres Janeiro-Fevereiro-Março; Fevereiro-Março-Abril;...; Setembro-Outubro-Novembro; Outubro-Novembro-Dezembro) para cerca de 300 estações meteorológicas do INMET para as quais se dispõe de séries de dados longas (30 anos ou mais). São mostradas as distribuições empíricas e distribuições Gama ajustadas por procedimentos estatísticos. Há gráficos da Função Densidade de Probabilidade (FDP) e da Função Distribuição Acumulada Complementar (FDAC), que corresponde à probabilidade de a chuva no trimestre exceder um valor x de interesse. Além de fornecer os parâmetros básicos da distribuição de probabilidade ajustada, as figuras informam, também, os valores correspondentes aos quantis (percentis) de 5%, 15%, 33%, 66%, 85% e 95%. Para facilitar a leitura pelo usuário dos valores correspondentes à probabilidade de a chuva acumulada exceder a valores específicos, é oferecido um gráfico FDAC com uma grade refinada. Futuramente estarão disponíveis, também, distribuições de probabilidade da chuva acumulada mensal e distribuições de probabilidade de temperaturas.

2. Monitoramento Climático

2.1 Quantis de Precipitação
Em sua versão atual, o produto se restringe à precipitação trimestral. Apresenta mapas em que, para cada ponto, a precipitação acumulada observada no trimestre escolhido pelo usuário é classificada em faixas definidas pelos percentis de 5%, 15%, 33%, 66%, 85% e 95%. Estas faixas usualmente são associadas a rótulos que variam de "extremamente seco" a "extremamente úmido". Tais mapas são bastante úteis, entre outras aplicações, para uma rápida verificação visual do prognóstico climático expresso em probabilidades de tercis realizado para o período em questão, uma vez que as regiões com precipitação acima da faixa normal aprecem destacadas em tons frios (azul), enquanto que regiões com valores abaixo da média são destacadas em tons frios (amarelo e vermelho). Por outro lado, na elaboração do prognóstico climático, a análise dos mapas correspondentes a períodos análogos ocorridos no passado pode ser um interessante subsídio para o climatologista. O produto possibilita ao usuário escolher um ano de início, a partir de 1961, um número de anos a serem analisados, o trimestre de interesse e o tipo de evento "El Niño Oscilação Sul" (ENOS) que se verificava no trimestre, segundo a classificação divulgada pelo CPC /NOAA (*). Há quatro possibilidades: TODOS, mostra mapas correspondentes a todos os anos do período determinado pelo usuário; El Niño, mostra apenas mapas correspondentes a anos do período escolhido pelo usuário em que o trimestre em questão foi classificado com de El Niño; analogamente, a opção La Niña mostrará anos em que o trimestre em questão foi classificado como de La Niña, e Neutro exibirá mapas correspondentes a anos em que o trimestre em questão foi considerado de evento Neutro. O conjunto de mapas selecionado é exibido inicialmente em páginas com 12 mapas miniatura apresentados lado a lado, permitindo uma rápida comparação visual entre eles. Clicando-se em uma miniatura escolhida, obtém-se a imagem ampliada, que pode ser copiada pelo usuário. Futuramente serão oferecidos, também, mapas com a classificação em quantis da precipitação acumulada mensal, bem como mapas de temperaturas para períodos trimestrais e mensais.

(*) http://www.cpc.noaa.gov/products/analysis_monitoring/ensostuff/ensoyears.shtml

Para análise atualizada da situação corrente, consultar:
http://www.wmo.ch/pages/prog/wcp/wcasp/enso_update_latest.html

Material de Referência:
ANÁLISE DE MÉTODOS ALTERNATIVOS PARA MAPEAR ANOMALIAS DE PRECIPITAÇÃO

2.2 Desvio de Chuva Mensal
Mapas apresentam, para todo o território nacional, a diferença ponto a ponto entre a precipitação total registrada no mês e ano selecionados e a climatologia de precipitação para tal mês (média histórica da precipitação mensal calculada para aquele mês ao longo do período de 1961 a 1990).

2.3 Desvio de Chuva Trimestral
Mapas apresentam, para todo o território nacional, a diferença ponto a ponto entre a precipitação total registrada no trimestre e ano selecionados e a média histórica da precipitação acumulada observada para aquele conjunto de meses, ao longo do período de 1961 a 1990. Estão disponíveis mapas a partir do trimestre Janeiro-Feveiro- Março de 1961. A interface de acesso permite pré-selecionar um conjunto grande de mapas que aparecem lado a lado em tamanho reduzido, facilitando uma inspeção rápida para investigar alguma situação de interesse (por exemplo, seca ou excesso de chuva em uma dada região). Assim, é possível pré-selecionar, por exemplo, todos os trimestres Janeiro-Fevereiro-Março de 1980 para cá e fazer uma rápida comparação entre eles. Clicando-se na miniatura escolhida, obtém-se a imagem ampliada, que pode ser copiada pelo usuário. O usuário tem, também, a opção de escolher apenas anos em que o trimestre de interesse apresentou determinado tipo de evento ENOS (El Niño Oscilação Sul), conforme detalhado no item 2.1, acima.

2.4 Índice de Precipitação Padronizada – SPI
O Standardized Precipitation Index (SPI) foi formulado por Tom Mckee, Nolan Doesken and John Kleist do Centro de Clima do Colorado em 1993 (McKee, T.B., N. J. Doesken, and J. Kliest, 1993: The relationship of drought frequency and duration to time scales. In Proceedings of the 8th Conference of Applied Climatology, 17-22 January, Anaheim, CA. American Meterological Society, Boston, MA. 179-184). O objetivo é associar um valor numérico único à variável precipitação, que possa ser comparado entre regiões e períodos do ano de climas bastante diferenciados. Tecnicamente, o SPI corresponde ao número de desvios padrão de que a precipitação cumulativa observada se afasta da média climatológica, para uma variável aleatória com distribuição normal. Como a precipitação não segue uma distribuição normal, aplica-se inicialmente uma transformação tal que os valores transformados têm distribuição gaussiana. Para isso, é necessário que se disponha de séries de dados suficientemente longas (30 ou mais anos). O SPI pode ser calculado para diferentes escalas de tempo, significando o período durante o qual se acumula o valor de precipitação. Assim, o SPI1 corresponde à precipitação mensal, o SPI3 corresponde à precipitação acumulada em períodos de 3 meses etc. É usual utilizar-se uma associação entre faixas de valores do SPI e categorias qualitativas de clima. A associação mais freqüente é a que vem sendo utilizada pelo utilizada pelo IRI - International Research Institute for Climate and Society (http://ingrid.ldeo.columbia.edu/maproom/.Global/.Precipitation/SPI.html), traduzida na tabela abaixo.

Correspondência entre SPI e Categorias de Clima
Valores SPI Categoria
> +2 Extremamente Úmido
+1,50 a +1,99 Severamente Úmido
+1,00 a +1,49 Moderadamente Úmido
-0,99 a +0,99 Próximo a Normal
-1,00 a -1,49 Moderadamente Seco
-1,50 a -1,99 Severamente Seco
< -2,00 Extremamente Seco

O aplicativo disponibilizado pelo INMET disponibiliza mapas de índice SPI para períodos a partir de janeiro 1961. O usuário pode selecionar um ano inicial, o número de anos a ser analisado, o mês de referência, a escala de tempo (SPI1, 3, 16, 12, 24 ou todas as opções simultaneamente), o tipo de interpolação utilizada para a geração dos mapas (o default Cressman, ou nenhuma interpolação) e o tipo de evento ENSO (El Niño Oscilação Sul) de interesse (vide explicação do item 2.1). No caso do SPI, a seleção de um determinado tipo de evento ENOS implicará na seleção de períodos, dentro do intervalo de anos selecionado pelo usuário, em que o evento selecionado ocorreu durante o último trimestre do período. Assim, por exemplo, se o usuário selecionar o ano inicial de 1961, 48 anos a serem analisados, o mês de agosto, o SPI6 e o evento La Niña, serão selecionados mapas correspondentes a 11 períodos de março a agosto (seis meses) em que o trimestre de junho a agosto se caracterizou como de La Niña (segundo o CPC/NOAA; vide2.1) Como nos casos anteriores, são mostrados conjuntos de 12 mapas em miniatura para facilitar a comparação visual entre eles. Clicando em uma das miniaturas, o usuário obtém uma versão em tamanho normal.

3. Previsão Climática

3.1 Prognóstico Climático Trimestral
Mensalmente, a partir de fevereiro de 2004, o INMET participa de uma Reunião de Prognóstico Climático, em conjunto com o CPTEC/INPE, da qual participam, também, representantes dos Centros Estaduais de Meteorologia e Recursos Hídricos e da academia. São discussões realizadas por teleconferência, ao final das quais se decide por um prognóstico de consenso para o comportamento da precipitação acumulada e da temperatura média ao longo dos próximos três meses. Os prognósticos de precipitação são probabilísticos, expressando, para cada ponto do território nacional, a probabilidade (subjetiva) de que a precipitação acumulada no período em análise venha a se situar em cada um dos três tercis da Distribuição de Probabilidade Climatológica da precipitação acumulada correspondente ao trimestre em questão e à localidade de interesse: o tercil médio (precipitação normal), o tercil superior (precipitação acima da média histórica) e o tercil inferior (precipitação abaixo da média histórica). Os resultados da Reunião de Prognóstico Climático são sintetizados em dois boletins: o Boletim Progclima, mais condensado, e o Boletim Infoclima, ambos disponíveis na página do INMET. Selecionando o mês e ano correspondentes à reunião de prognóstico, a partir de janeiro de 2004, o usuário obtém uma cópia em PDF do ProgClima. Neste documento há um link para "maiores informações", que remete ao boletim Infoclima, produzido pelo CPTEC/INPE. Entre janeiro de 2001 e dezembro de 2003, mensalmente o INMET produziu, internamente, boletins com previsões determinísticas para o trimestre seguinte, resultantes de um processo de discussão envolvendo meteorologistas da Sede e dos Distritos Meteorológicos do Instituto. Estes relatórios acham-se, também, disponíveis na página. Há ainda, exemplares de um boletim de prognóstico que era produzido pelo INMET, anteriormente a janeiro de 2001, para cada estação do ano (primavera, verão, outono e inverno).

3.2 Boletim Climático para o Rio Grande do Sul
O Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet), da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas e o 8º Distrito Meteorológico do INMET (Rio Grande do Sul), produzem um prognóstico climático determinístico de precipitação e temperaturas mínima e máxima, para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Estes prognósticos empregam modelos estatísticos de previsão climática desenvolvidos por pesquisadores do CPPMet e são feitos, mensalmente, para cada um dos três meses subseqüentes. São divulgados por meio de um Boletim Climático, desde outubro de 2005.

3.3 Foro Climático do Mercosul
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) promove periodicamente um Fórum Regional de Perspectiva Climática para o Sudeste da América do Sul, com a finalidade de prover aos países do cone sul uma previsão climática capaz de oferecer aos usuários apoio em suas decisões. Participam regularmente desses fóruns o Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN), o Instituto Nacional de Meteorologia-INMET (Brasil); a Direção Nacional de Meteorologia-DNM (Uruguai), a Direção Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Paraguay- DMH-DINAC (Paraguay), o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos-CPTEC/INPE (Brasil) e o International Research Institute on Climate and Society – IRI (Universidade de Columbia, E.U.A.). O resultado de cada fórum é consolidado em um boletim, disponível para download, em PDF, pelo usuário interessado.

3.4 IRI
As previsões climáticas produzidas e divulgadas pelo International Research Insitute on Climate and Society (IRI), da Universidade de Columbia, NY, EUA, que lançam mão de diversos modelos climáticos das mais conceituadas instituições do mundo, são uma importante referência também para os Prognósticos de Consenso entre o INMET e o CPETEC/INPE. O link disponibilizado pelo INMET leva o usuário diretamente à página que dá acesso a todas as previsões disponibilizadas pelo IRI.